Sonhos vividos ou apenas sonhados?

Por Beatriz Campos
 
Sonhos… nós falamos tanto essa palavra quando somos crianças e sempre soubemos responder na ponta da língua quando as pessoas mais velhas perguntavam “O que você quer ser quando crescer?” “Qual é o seu sonho?”. Mas conforme fomos crescendo essas perguntas ficaram cada vez mais raras e se transformaram em palpites no que deveríamos fazer/ser.  Sonhar com uma sociedade que tenta limitar o futuro das pessoas por causa da sua classe, da sua cor, da sua origem e da sua história se tornou uma missão difícil. Eles definem um padrão e, se você não o segue, eles te chamam de louco. Uma sociedade que valoriza mais a “Cabeça” do que o “Coração”. Muitas vezes, mais o “Ter” do que o “Ser”. Assim, sonhar parou de ser fofo e tornou-se perda de tempo.
 
Ainda bem que os “loucos” existem. Pessoas inspiradoras que veem nos sonhos oportunidades e transformam os desafios em combustíveis para supera-los.  Pessoas que decidem escutar sua própria voz e trilhar seus caminhos independentes dos “você não vai conseguir”, “não é para você”, “você não pode largar tudo para ir atrás dos seus sonhos”, “e se você fracassar?”. Pessoas que sabem quem são e o que querem para si. Essas pessoas não são tão difíceis de encontrar quanto pensamos, aliás, existe um lugar cheinho delas. Se chama Instituto Gerando Falcões.
 
O trabalho dessa ONG é justamente desenvolver “loucos” pois, como o médico psiquiatra Roberto Shinyashiki diz: “Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” Para o pessoal do Gerando Falcões todo mundo tem potencial de ser aquilo que sonha. Não importa seu passado, eles acreditam no seu futuro.
 
Por meio de oficinas esportivas e culturais as crianças da comunidade do Poá e região têm oportunidades de desenvolver-se. Além disso, existe projetos de qualificação profissional e geração de renda. Eu tive a oportunidade de participar do lançamento dos CD’s  produzidos no “EstúdioMoto”, parceria entre a Gerando Falcões e a Motorola. Eram cinco cantores com histórias de vida inspiradoras. Um por exemplo, o MC DS, estava na Fundação Casa quando recebeu a visita do Projeto MC’s pela educação da ONG, projeto que leva reflexões educativas para as escolas públicas e Fundações Casa por meio da música. Essa visita resultou em um recomeço para o jovem Djonatas da Silva que com o apoio do Gerando Falcões usou a música para mudar a sua história. Esse exemplo é a prova viva da frase que eu mais escuto aqui na ONG: “Não importa da onde você vem mas para onde você vai”.
 
Estou aqui na GF há pouco mais de três semanas. Estou participando de um estágio de férias e meu projeto é sobre o primeiro passo para alcançar seus sonhos: o autoconhecimento. Meu objetivo é semear nas crianças e nos jovens a importância de se autoanalisar para conseguir escutar a própria voz e descobrir qual marca eles querem deixar no mundo. O projeto acontece a partir de 4 oficinas: a primeira é uma reflexão guiada sobre quem realmente eles são, a segunda sobre como os nossos sentimentos afetam nossos comportamentos, a terceira sobre sonhos individuais e coletivos e por fim, a quarta oficina é sobre qual o futuro que eles querem construir e como alcançar isso. Nesse pouco tempo aqui pude aprender muito sobre empatia, sonhos, sair da minha “bolha” e mudar a forma de ver a realidade.
 
Existem dois tipos de sonhos: os que conseguimos transformar em realidade e aqueles que ficam apenas na imaginação. Em qual tipo se encaixa o seu?
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Sobre a autora
Acredita que os sonhos viram realidade e esse pensamento faz com que ela seja apaixonada pela vida e pelas mudanças. Cursa Relações Internacionais em Franca, participou da Empresa Júnior por três anos em um projeto que fomenta a Responsabilidade Empresarial Social. Em 2015 foi uma das fundadoras do Time Enactus em Franca, que tem como projeto o empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade social e financeira através de oficinas de debates e de produção de sabonetes. 

 

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