O Gerando Falcões cria oportunidades de onde menos se espera

Por: Bruno Queiroz

Quando estava na The Riverside School, na Índia, perguntei aos alunos o que eles mais gostavam na escola e, entre tantas declarações sensíveis, Siddhant (15) me contou:
“A Riverside não te força a tirar boas notas, ela te dá oportunidades.”

Já há menos tempo, me deparei com a minha definição favorita de educação (até hoje), da alemã Hanna Arendt:
“A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele.”

Unindo as duas sentenças, é jogo rápido fazermos um diagnóstico sobre a falência do sistema de ensino tradicional; que oportunidades o ensino brasileiro, principalmente o público, está apresentando aos estudantes? E em que momento uma educação instrucional, generalista, desalinhada com o mercado, com a cultura da comunidade ao seu redor e com os conhecimentos dos alunos vai dá-los a chance de se apaixonar pelo mundo, para criar, “criativar”, empreender e cuidar?
É para ajudar a remediar essas e outras injustiças e desigualdades que o Gerando Falcões nasce, existe e se faz necessário aqui na serena cidade de Poá, pertinho da capital São Paulo.

Aprendi, também na Riverside, que para analisarmos qualquer instituição devemos começar notando as pessoas, passando pelos lugares e por último pelas práticas. E assim sendo, depois de pouco mais de duas semanas convivendo com e observando diariamente os funcionários, educadores, famílias e principalmente os jovens impactados pela ONG, é seguro afirmar a solidez do impacto do Gerando Falcões na personalidade e ações de todos. Mesmo que as atividades aconteçam no contraturno escolar, em alguns casos apenas uma vez por semana, é incrível o quanto é clara a consciência dos jovens em relação à importância do trabalho aqui desenvolvido. Todos estudantes com que conversei se mostram abertos, comunicativos, sensíveis, dedicados e preocupados não só com o andamento do seu aprendizado ou lazer, mas também com o bem-estar dos facilitadores, funcionários e até de mim, um estagiário de férias que eles nunca tinham visto na vida.

Para mim, não há medida maior de sucesso do projeto do que o comportamento receptivo e atencioso de todos participantes. E se engana quem pensa que os ditos “jovens-problema” são excluídos do projeto, muito pelo contrário, como destaca Lê Maestro, Coordenador de Arte e Cultura da ONG, e um dos mais experientes da casa:
“Na real, aqueles que não querem nada com nada, não querem estudar, não querem trabalhar, esses que eu quero tocar, são os meus favoritos.”
O que acontece aqui é que mesmo quem entra “não querendo nada com nada” logo percebe o tamanho da oportunidade que os projetos do GF oferecem, e é rapidamente contaminado pelos valores repetidos como mantras por aqui: #tamojunto, #vaikida, #trabalhoduro, #paporeto, #pegadaforte, #ehtudonosso e #ehnois.

Em meio a tantas notícias desanimadoras, escândalos políticos e descrença no futuro do Brasil, o Gerando Falcões cria na marra uma bolha de otimismo e potência de onde menos se espera: do meio das favelas paulistas.

Ah, e o que eu estou fazendo aqui, além de também me encantar e contagiar com todos esses valores?

Um dos projetos é o Reforma, meu curso de educação inovadora e facilitação criativa para educadores, que já tocou, ensinou e ferramentou educadores no Rio Grande do Sul, e agora facilito pela primeira vez em terras paulistas, para todos os educadores e facilitadores do Gerando Falcões.

E, em tempo, sabendo da existência do EstúdioMoto (estúdio construído em parceria com a Motorola dentro da ONG) e também dos cursos de DJ, percussão, coral, e ainda do projeto MC’s Pela Educação, entendi que seria relevante criar um projeto que aborda todas as facetas do mercado musical atual; passando por gravação, mídias, shows, produção e muitos outros temas – com a ajuda dos excelentes amigos músicos/produtores Renan Queiroz (Dr. Hank), Sandro Silveira (Frida) e Tagore Suassuna (Tagore), além das participações especiais da banda Supercombo e do cantor, músico, empresário, produtor e ex-jurado dos programas Ídolos e Astros, Tomas Roth. Foi assim que criei o Móxi, um programa de imersão no cenário musical independente; através dele, os participantes da experiência – músicos gravados no EstúdioMoto, os MC’s Pela Educação e alunos do coral e do curso de DJ – sairão mais preparados e munidos com ferramentas e informações para alcançar o sonho de viver da música.

#EHNOIS e #TAMOJUNTO!

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Artigo escrito para o Blog do Gerando Falcões.
Sobre o autor
Meu nome é Bruno Queiroz, 21 anos, e após ter o privilégio de conhecer e estudar de perto algumas das instituições de ensino mais inovadoras do mundo, como a Riverside School (Índia), Schumacher College (Inglaterra), Escola da Ponte (Portugal), Projeto Âncora (SP) e outras, provoco e informo educadores, estudantes e inquietos através de textos, cursos, palestras e rodas de conversa, com o objetivo de alcançar uma educação e uma sociedade mais holística e empática.
https://www.linkedin.com/in/brunofqueiroz/

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