“Da vida bandida à dignidade”

“Da vida bandida à dignidade”

A pobreza gerou a revolta, que gerou o assalto, que o levou a cadeia. A história é de V.S.J, de 39 anos, que teve uma trajetória conturbada no passado, mas que decidiu transforma a vida com novas escolhas no presente. Foi criado na capital paulista, mas já “morou” por 10 anos na prisão. Desistiu da escola na quinta série e desanimou dos estudos por ter sido alvo constante de piadinha dos colegas pela forma como se vestia, por não ter um tênis legal ou roupas de marca. A família de V.S.J não teve boas condições financeiras para gastar com bens materiais com nove filhos para criar.IMG-20160131-WA0003

Praticou assaltos. Traficou droga. Foi para a cadeia cinco vezes. Na primeira passagem, ele ainda era menor de idade e foi encaminhado para a antiga Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor), atualmente chamada de Fundação Casa. Com um passado “sujo” e uma sociedade de preconceitos, o discurso mais comum de quem lesse este artigo é de que o rapaz é um “caso perdido” e que não teria mais chances na vida, assim como J.M.C.S, 25 anos, morador de Poá, Grande São Paulo.

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Ele também teve uma família desestruturada e foi preso por tráfico de drogas, em Mogi das Cruzes, em 2011. Pegou três anos de detenção e uma coleção de situações difíceis dentro da cadeia que ele preferiria esquecer. A vida não foi fácil para ambos desde o início, assim como não é para muita gente.

Mas eles decidiram transformar. A fé, a determinação e as novas escolhas fizeram com que as portas voltassem a se abrir a eles, dando-os uma segunda chance. Depois de uma série de entrevistas de emprego os dois conseguiram o que tanto queriam depois da prisão: uma vida digna.

Por intermédio do Gerando Falcões, em parceria com empresas privadas, V.S.J conseguiu um emprego de assistente de produção em um restaurante japonês no Jardim Paulista, em São Paulo. A experiência, segundo ele, tem sido incrível e ele tem “dado risada” da vida à toa, pelo simples fato de ter uma renda e poder sonhar com um futuro melhor. Pai de dois meninos, um de 12 e outro de 13 anos, V.S.J quer também retomar os estudos e ser exemplo para seus filhos.

Já J.M.C, que ainda dentro da prisão ficou envolvido por um ano na criminalidade, virou auxiliar de produção de uma grande autopeças em Osasco, na Grande São Paulo. Cristão convicto e transformado, ele sabe que a sociedade é preconceituosa com pessoas que tiveram um passado como o dele. No entanto, para o auxiliar, “só se colhe o que se planta”. Ele quer sim voltar para o cárcere, mas só para propagar a palavra de Deus e ser exemplo aos ex-companheiros.  J.M.C quer ser prova viva de que, “do lado de fora”,  ainda existe oportunidade e de que elas só dependem das suas escolhas.

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